APRESENTAÇÃO

Os 60 anos de uma instituição necessária

O ano de 2014 chega repleto de desafios a serem superados, ao tempo em que marca a celebração das seis décadas do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural no Nordeste brasileiro. No Ceará, representante legítima desta atuação, a Ematerce, chega à sua maturidade com a merecida sensação do dever cumprido. No apoio ao homem do campo; na construção de uma sociedade com mais qualidade de vida.

Nas páginas a seguir, temos um minucioso trabalho que atesta a importância da educação rural como estratégia de desenvolvimento. E avança numa discussão essencial para o Brasil, ao mostrar como se dão a difusão do conhecimento e a dispersão dos insumos modernos nos países da América Latina, Caribe, África e Ásia, como processo educativo e de construção das concepções e dos conceitos de comunidade.

A lição principal desta obra está na premissa de que, apesar das inúmeras restrições, os pequenos agricultores e agricultoras domésticos, têm potencial para melhorar significativamente as suas produtividade e organização. Como consequência disso, constroem qualidade de vida e melhoram toda a Nação brasileira.

O papel da Ematerce supera, e muito, a assistência técnica. Nestes 60 anos, consolidou-se como âncora da prosperidade do campo. Para além do progresso econômico, vai ao encontro da organização social justa, destacada pelo autor ao longo deste valoroso trabalho, em que prevalecem seis dimensões (cultural, social, ambiental, ética, política e econômica).

Com empenho, associo-me para reforçar a educação rural continuada e permanente. Nosso objetivo comum é atingir um patamar de esforços entre os vários setores da nossa organização social – sejam governos, seja a sociedade civil – para gerarmos a “onda sinérgica” proposta neste livro.

Camilo Sobreira de Santana

Deputado Estadual

Secretário do Desenvolvimento Agrário

 2007 – 2010


 

NOTA

 

O Instituto Hidroambiental Águas do Brasil – IHAB (fundado em 22 de março de 2001, DIA MUNDIAL DA ÁGUA), é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP e tem como missão: Estimular, promover e divulgar o conhecimento técnico – cientifico sobre a água, meio ambiente e conscientizar a sociedade da importância de proteger e usar racionalmente os recursos naturais para a produção limpa e negócios sustentáveis, visando à melhoria da qualidade de vida.

Para implementar sua missão o IHAB, realiza projeto técnicos específicos e suas iniciativas:

PROJETOS TÉCNICOS CIENTIFICOS:

Constitui-se de projetos diversos de pesquisas e difusão de inovação tecnológica nos ambientes terra, água, floreta e ar para solucionar usos inadequados dos recursos naturais, objetivando uma convivência saudável do homem em seu habitat com produção limpa e negócios sustentáveis em parceira com instituições públicas, privadas e não governamentais.

INICIATIVAS:

–        Fórum Multissetorial de Responsabilidade Ambiental, na última sexta feira dos meses de maio e novembro;

–        Encontro Intercontinental sobre a Natureza – O2 / Feira de Tecnologia e Produção Limpa – PROECO em novembro dos anos ímpares no Parque Ecológico do Rio Cocó / Centro de Eventos do Ceará;

–        Eco Arte Cultura em novembro dos anos ímpares conjuntamente com o O2 / PROECO e no mês de novembro dos anos pares conjuntamente com o Fórum, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura;

Que possibilitam a abordagem e endereçamento das questões sócio ambientais de forma integrada, sistêmica e pragmática, principalmente visando à implementação de ações locais, em todos os níveis de utilização e gestão dos recursos naturais, contribuindo para caracterizar o Brasil como referência mundial nas discussões e busca de soluções para as questões ambientais que hoje afetam diretamente a qualidade de vida de todos os seres que habitam nosso planeta. Fortaleza – Ceará é a sede permanente das iniciativas do IHAB.

Neste contexto como difusão e inovação tecnológica, publica o Livro EXTENSÃO RURAL Simulacro de Educação Rural como Estratégica de Desenvolvimento de autoria do agrônomo Nizomar Falção Bezerra, parceiro do IHAB desde sua fundação em 2001 para contribuir com a disseminação do  conhecimento da extensão rural brasileira, especialmente no Nordeste.

 


 

SINTESE

 

No inicio do ano de 2014 o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural no Nordeste brasileiro completa sessenta anos de existência.

Em função desta data histórica o autor escreveu um livro denominado “Extensão Rural: simulacro de educação rural como estratégia de desenvolvimento”.

Para compreender essa complexa engrenagem de aplicação de controle social sobre as populações do chamado terceiro mundo, no primeiro capítulo o autor resgata os aspectos históricos de aculturação e formação do saber etnocêntrico no universo rural.

O autor procura demonstrar como se fez a difusão do conhecimento e a dispersão dos insumos modernos nos países da América Latina, Caribe, África e Ásia, como processo educativo (é do cativo) e de construção das concepções e dos conceitos de comunidade, como descrito ao longo do segundo capítulo.

No terceiro capitulo o autor mostra que apesar de tudo o que foi dito, tratado e introduzido de modernização no campo, apesar das reconhecidas restrições, os pequenos agricultores e agricultoras domésticos, têm sim, reais potencialidades de melhorar de forma muito significativa sua produção, produtividade e organização e consequentemente, sua qualidade de vida; ou seja, que podem obter o progresso econômico, desde que o foco das políticas públicas esteja voltado às potencialidades dos agricultores (as) e nunca às suas fragilidades, como se faz neste momento histórico.

Não obstante a importância dos programas de transferência de rendas, isto não é suficiente. Conseguir o progresso agropecuário é somente um meio para atingir o objetivo maior: a prosperidade do meio rural; entendido aqui como a melhoria das condições econômicas, sociais, ambientais, culturais, éticas e políticas de todos os habitantes.

Ainda no terceiro capítulo o autor demonstra que a prosperidade econômica para os agricultores e agricultoras domésticos, ocorrerá mediante fortalecimento da Extensão Rural, pelas seguintes razões:

(i) A melhoria das condições de vida desse contingente de agricultores (as) exige o acesso a uma melhor condição de vida nos âmbitos da alimentação, saúde, educação, vestuário, habitação etc. Para obtê-lo, não somente é necessário capacitar às famílias rurais nos aspectos da economia do lugar, mas acima de tudo é imprescindível aumentar as suas receitas financeiras a partir de suas ocupações rurais; é preciso focar nas potencialidades dos agricultores (as) e nunca nas suas carências. Sem recursos financeiros adicionais será muito difícil alcançar o bem-estar familiar e obter o progresso social;

(ii) A fonte geradora de renda para a maioria dos habitantes das comunidades rurais é a atividade agropecuária. Da sua eficiência produtiva, gerencial, comercial e organizacional, dependerá o nível das receitas financeiras das famílias rurais. Isto é, da mesma forma como não pode existir progresso social sem progresso econômico, tampouco pode existir prosperidade sem uma agricultura eficiente e rentável;

(iii) Duas importantes aspirações sentidas pela maioria das famílias rurais são obter sua segurança alimentar e nutricional aí incluso sua segurança hídrica – e suas rentabilidades financeiras com um mínimo de riscos. Para começar a satisfazer estas aspirações dos habitantes rurais, concretamente, e conseguir que os mesmos o façam, com seu próprio empenho, participação e protagonisticamente, é necessário adotar uma estratégia para romper o círculo vicioso do subdesenvolvimento enquanto despertar para um progresso sustentável (nos níveis econômico, social, ambiental, ético, político).

Uma vez dado esse primeiro passo, os agricultores e agricultoras domésticos, sentirão que sendo eles mesmos capazes de solucionar seus problemas de alimentação e aumentar seus ganhos financeiros, também serão capazes de solucionar outros problemas que os afetam sem a ajuda de terceiros (Gronemeyer, 2000) e do Estado; com isto aumentam sua autoconfiança e ampliarão seus horizontes de aspirações. A partir desses avanços ocorrerão reais mudanças de atitude e de valores, os quais são importantes componentes do “desenvolvimento cultural” (FAO, 1991, p. 36). Sem dúvida, é muito difícil obter tais mudanças de forma abstrata. Por isto, é conveniente adotar uma estratégia para que elas se façam através de atividades concretas; conseguir que os agricultores e agricultoras domésticos aumentem sua produção, sua produtividade e suas rendas é uma forma concreta de elevar sua autoconfiança e promover mudanças de atitudes e de valores;

(iv) Na medida em que se eleva a prática do progresso agropecuário, não somente experimentarão mudanças de atitude, mas verão, também, que muitos problemas produtivos e econômicos não podem ser solucionados de forma individual e sem contribuições externas. Por esta razão, compreenderão a necessidade de organizar-se para canalizar suas demandas, fortalecer-se como grupo e como comunidade e desenvolver suas potencialidades de liderança. Ao fazê-lo estarão dando um importante passo para seu “desenvolvimento político” (idem, p. 37) capaz de reivindicar que o Estado formule políticas e execute serviços e obras de infraestrutura que atendam aquelas demandas dos habitantes rurais, que não podem ser realizadas por eles mesmos.

É importante destacar que é praticamente impossível alcançar o progresso rural imaginado para uma organização social justa, nas seis  dimensões anunciadas (cultural, social, ambiental, ético, político e econômico), através da ação exclusiva do poder público ou somente das famílias rurais. É necessária uma ação educativa complementar, libertadora, de esforços entre ambos, gerando uma onda sinérgica. Pelos seus altos custos e complexidade, os esforços em prol da prosperidade do âmbito rural requer uma ação conjunta do Estado e dos produtores, de forma recíproca, uma contrapartida bilateral, no que se refere ao financiamento e a execução dos serviços a ele coligados.

Ver-se-á ao longo de todo o texto, especialmente no terceiro capítulo, que o Estado não está em condições – e quando o faz é paternalisticamente – de oferecer todos os componentes exigidos pelo modelo clássico de “Desenvolvimento Agropecuário” à totalidade dos agricultores e agricultoras domésticos (geração e difusão de tecnologias, Extensão Rural, capacitação, crédito rural, fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos, garantia de preços e de comercialização, barragens, obras de irrigação, beneficiamento e armazenamento da produção, estradas, instalação de agroindústrias etc.) simplesmente porque não dispõe de recursos suficientes para fazê-lo. Esta restrição será ainda maior se aos equipamentos mencionados juntarem-se aqueles que se relacionam com o progresso social (escolas, postos de saúde, habitação, eletrificação, comunicação, geração de empregos etc.).